OPINIÃO: Genial ou besteirol... Ou as duas coisas?
Enquanto Cohen cria antológicos momentos de ousado e incisivo humor como esse acima...
Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen): May George Bush drink the blood of every man, woman, and child in Iraq!
Antes de mais nada, desejo esclarecer uma questão de foro eminentemente pessoal: não me agrada o humor grosseiro, chulo, escatológico. Fazer rir sem apelar para os nossos mais baixos instintos é algo dentro do pleno alcance de artistas talentosos, que para tanto não se sentem compelidos a atrelar algo terapêutico como o riso com coisas sujas. Cada um tem seu gosto, e respeito a predileção daqueles que curtem tal modalidade cômica. Ainda assim, Borat, para mim passa longe de representar a genial pérola alardeada por meio mundo em meados do ano passado.
Por outro lado, é preciso ser cabeça-dura para negar os evidentes méritos do seu polêmico criador, Sacha Baron Cohen, nesta politicamente subversiva e reveladora mescla de comédia com documentário, onde a bizarrice flui leve e solta.
Com a maior (e bem-sucedida) desfaçatez em sua imersão na pele do tosquíssimo personagem-título, aliada ao aguçado faro em identificar os pontos nevrálgicos que permitem desarmar os pudores de cada pessoa abordada, Cohen traz à tona exemplos chocantes de preconceito, estupidez, insensatez e outros descalabros cultivados por uma parcela da sociedade norte-americana, de mentalidade insensível à realidade de minorias como estrangeiros, homossexuais ou judeus. Certas situações se desvelam na tela de forma tão constrangedora - para o deleite do espantado público, é lógico - que volta e meia ficamos na dúvida se tudo não passa de uma engenhosa armação. A resposta é negativa, raras exceções à parte, como aquela subtrama romântica pré-fabricada envolvendo Pamela Anderson.
Quem diria que em meio à vulgaridade predominante nas debochadas "pegadinhas" e à precariedade proposital da encenação de "guerrilha" poderiam ser desvendados verdadeiros pontos-nós pela empreitada de Cohen, aptos a suscitar nossa reflexão e propiciar férteis discussões, carregando em seu bojo material de valor inclusive sociológico. A ignorância de Borat
Em face de tal valoração, Borat se diferencia de outras palhaçadas fílmicas despejadas aos borbotões todos os anos, ainda que o quociente nada engraçado resultante da comburente sondagem de seu autor se eleve bem acima das efêmeras gargalhadas que proporciona.
COTAÇÃO:

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:::Visto em 21 de abril. [Cinema]
Marcadores: 2 estrelas, Comentários

10Comments:
At Sábado, Junho 30, 2007 10:23:00 AM,
Wiliam Domingos said…
O filme acabou sendo "supervalorizado"....muitos não entenderam a finalidade dele, mas gostaram do bizarro e engraçado mundo de Cohen!
Eu concordo com vc...
Há muitas contradições, ora positivo, ora negativo, ora bizarro forçado e ora crítica comica!
Realmente, tudo me deixou muito confuso...difícil de analisar o filme como bom ou ruim! Mas confesso que eu esperava mais...
O filme é mais uma exibição de choques de cultura e ignorância nacionalista (de ambas partes) do que uma crítica aos norte-americanos!
Acho que se Cohen tivesse vindo ao Brasil e feito os absurdos que fez, sairia morto! rsrsrsrs
Abraço
At Sábado, Junho 30, 2007 1:41:00 PM,
Wanderley Teixeira said…
Antes de tudo,adoro humor grosseiro,chulo e escatológico.Concordo com vc q um dos pontos altos da comédia é revelar os absurdos contidos na mentalidade do povo norte-americano,que em sua grande maioria se revela contrário a qualquer minoria social.No cinema tb ficava em dúvida sobre determinados momentos do filme,seria ficção?rsrsrssrs
Não é excelente e concordo com vc q tamanho alarde em cima do filme é exagerado,mas ainda é uma opção inteligente em certos pontos.
At Sábado, Junho 30, 2007 3:07:00 PM,
Vinícius P. said…
Finalmente alguma crítica sobre o filme em que eu concordo em vários pontos. Acho que é mais besteirol do que genial, pois não ri em tantos momentos quanto esperava. Também não sou muito fã desse estilo de humor, mas não tenho nada contra (tanto que adoro o politicamente incorreto "South Park"), contudo achei a maior parte das piadas e situações detestáveis. Enfim, não é tão ruim quanto essas comédias adolescentes, mas também não é tão bom quanto afirmam.
Abraço!
At Sábado, Junho 30, 2007 7:26:00 PM,
contra-regra said…
Para mim, Borat foi a grande papagaiada desse ano até agora. Some a isso o fato de eu não valorizar comédias em excesso (esse ano mesmo só vi duas: Pequena Miss Sunshine e Scoop) e pronto. O estrago está feito. Acredito que o cinema pode ser melhor do que essa sucessão de absurdos e bizarrices. Sem mais a dizer (pois, na minha modesta opinião, não o que exaltar nessa obra), despeço... Até uma próxima visita.
P.S: Vi essa semana Magnólia, de Paul Thomas Anderson. Extraordinário! esse sim um exemplar genial de cinema.
At Sábado, Junho 30, 2007 11:23:00 PM,
Gustavo² said…
CONTRA-REGRA: somos dois, também não dou muita bola para comédias - salvo quando surge alguma pérola do quilate de Pequena Miss Sunshine.
E Magnólia é tudo de bom. Estava na hora de editarem uma edição melhor dele em DVD.
VINÍCIUS & WANDERLEY: da minha parte, sei que é coisa de personalidade, da minha formação, essa rejeição quanto a essa vertente humorística. Não sei se é seu caso, mas de qualquer forma, podemos concordar que as intenções de Cohen foram felizes em certos momentos, porém acho que nem eles justificam tamanha adoração. Opiniões, opiniões...
WILLIAM: nada mais conveniente! Imagine um Borat Senador, o estrago que iria fazer... Ou talvez nem isso - a bandidagem nem mais se preocupa em disfarçar suas gatunagens hoje em dia. Acorda, Brasil! ;)
At Segunda-feira, Julho 02, 2007 12:09:00 AM,
Andros Renatus said…
Nesse tipo de humor escatológico-farsesco, que remonta ao teatro profano medieval (muito popular), os limites entre o desmascaramento e o desrespeito são sutis e perigosamente móveis, mas Sacha Baron não os ultrapassou (não se pode dizer o mesmo de coisas como Pânico na TV).
At Segunda-feira, Julho 02, 2007 12:55:00 AM,
Felipe Nobrega said…
Vou conferir BORAT somente nesta terça feira, agora que entrei de f´rias tenho alguns "lançamentos" para colocar em dia. Ah" muito obrigado pela lembrança no post anterior, valeu!
prêmios da cafeteria do mês de junho já no blog.
abraços!!!
At Quinta-feira, Julho 05, 2007 9:57:00 AM,
Ronald Perrone said…
Achei um ótimo filme! Uma das melhjores comédias do ano!
Abraços!
At Segunda-feira, Julho 09, 2007 11:15:00 PM,
Gustavo² said…
ANDROS: é uma informação histórica que desconhecia. Obrigado por partilhar!
FELIPE: nada como recesso para botar os olhos em alguns bons filmes. Vou cair de cabeça nos clássicos neste mês.
RONALD: eu não, mas fazer o quê né? ;)
Cumps.
At Quinta-feira, Julho 12, 2007 3:42:00 AM,
Andressa & Rafael said…
(Rafael falando)
Concordo com o Wiliam a respeito da supervalorização desse filme que tem lá seus méritos justamente por identificar as fraquezas e contradições do ovo norte-americano, mas quando o humor se torna escrachado, acho que perde a força e um pouco da graça. Mas é inconfundível o talendo do Baron Cohen. Valeu!!!